04/02/2009 - 23h12
Justiça dos EUA recupera quase US$ 1 bi de Madoff
Nova York, 4 fev (EFE).- O administrador legal dos bens de Bernard Madoff assegurou hoje que foram encontrados quase US$ 950 milhões que podem ser destinados às vítimas da gigantesca "pirâmide financeira" montada pelo investidor americano.
Em uma audiência em um tribunal de Nova York, Irving Picard, advogado designado pelas autoridades para administrar os bens vinculados a Madoff, detalhou hoje ao juiz Burton Lifland que foram achados US$ 111,4 milhões em dinheiro de diferentes instituições financeiras.
Fora isso, na semana passada JPMorgan Chase e Bank of New York Mellon asseguraram que poderiam transferir a Picard US$ 534,9 milhões em ativos da companhia de Madoff.
O juiz americano aprovou hoje os termos dessa transferência, segundo a documentação divulgada pela corte, na qual também se detalha que Picard localizou ações com um valor próximo a US$ 300 milhões.
Madoff, que desde dezembro passado se encontra em prisão domiciliar em troca de uma fiança de US$ 10 milhões e outra série de requisitos, não foi à audiência.
Segundo as autoridades, o americano confessou após sua detenção em 11 de dezembro que a fraude poderia chegar a US$ 50 bilhões.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Terra Magazine entrevista o delegado Protógenes Queiroz
Terra Magazine publica abaixo a primeira parte da entrevista com o delegado Protógenes Queiroz. Leia aqui a segunda parte.
Terra Magazine - Poderia esclarecer o atentado que diz ter sofrido?
Protógenes Queiroz - Fui ao Rio de Janeiro cumprir uma agenda familiar. Me dirigi ao carro que eu sempre uso no Rio, ele fica na rua. Vezes eu o uso, vezes não, por medida de segurança. Esse carro estava parado desde dezembro em frente ao prédio onde mora meu filho. Entrei. Dei uma volta no quarteirão e "bum". Uma explosão no painel do carro. De maneira injustificada. O carro enfumaçou inteiro, parecia que estava pegando fogo. Enquanto isto, saíram dois esguichos de água fervente e ácida sobre o meu corpo. Sorte que eu estava de calça jeans e sapato. Poderia ter sido pior, caso eu estivesse em alta velocidade. Poderia, na verdade, ter sido fatal. Sorte que eu estava a 40 km/h. Parei o carro imediatamente e saí. Fui socorrido por populares e peguei um taxi para me dirigir a um hospital de emergência. No meio do caminho, decidi ir a um médico de confiança minha para que, se fosse uma lesão mais grave, ser encaminhado a um hospital próprio para o caso. Foi grave. Queimadura de segundo grau profundo. Por isto é que vim me tratar no Hospital das Clínicas em São Paulo, onde tem mais recursos, no setor de Queimados e Cirurgia Plástica. Fiz uma pequena cirurgia para tirar a pele. Quanto à razão, não dá para afirmar que foi somente acidente, porque existem fatos anteriores que me autorizam a pensar em sabotagem provocada por terceiros. Isto já é considerado por quem cuida do caso e estamos tomando as devidas providências.
O que te leva a pensar que foi um atentado e não um acidente?
Vigilâncias, pressões e ameaças durante e depois da operação Satiagraha. Coisas não explicadas até agora. Mas já existem duas investigações iniciadas, uma em Brasília e a outra em São Paulo, ambas sob a responsabilidade do Ministério Público Federal. Até agora não se chegou a nenhuma conclusão, até porque os dados estão sendo tratados em sigilo.
É verdade que se negou a receber auxílio da Polícia Federal?
Surgiu uma história que me leva a crer que realmente existe algo obscuro no acidente. Logo depois de noticiado o meu acidente, publicou-se uma notícia mentirosa, de grupos interessados, dizendo que eu tinha me recusado a ir à Polícia Civil do Rio de Janeiro, negado auxílio da PF e que o carro tinha sido alvejado por um disparo de arma de fogo no radiador. Inventaram também que um carro da Polícia Civil tinha parado lá... Isso tudo é falácia. Mentira. Foi lançado na mídia pelos mesmos grupos que ainda me acompanham, seguem, vigiam. Fui socorrido por populares, como te disse. O carro? Guardado em local seguro para uma avaliação.
Acredita que o bloqueio de recursos do Opportunity tenha quebrado a tese de Daniel Dantas de que as investigações passaram a ser perseguições pessoais?
Agora, as investigações contra o grupo Opportunity e contra o banqueiro bandido Daniel Dantas existem em quatro países. Em ordem cronológica, os bloqueios se deram no Brasil, que bloqueou em setembro, por decisão do Fausto De Sanctis, quase meio bilhão de dólares, Inglaterra (US$45 milhões), Suíça e Estados Unidos. Ou seja, já foram bloqueados quase US$ 3 bilhões. Durante as investigações, tínhamos indícios de que Dantas desviou do Brasil para paraísos fiscais uma quantia aproximada de US$ 16 bilhões. E, como sabemos, dinheiro originário dos cofres públicos e corrupção, isto desde as privatizações. Então, este bloqueio não é nenhuma surpresa porque eram valores já identificados pela operação Satiagraha. Isto mostra que tudo o que coletamos durante as investigações são dados que provam o indício de ilícito e fraude no mercado financeiro. Não só no Brasil, mas com reflexos em outros países. Agora que estes localizaram o dinheiro brasileiro, bloquearam.
Como surgiu o bloqueio?
O bloqueio nasce com dados levantados aqui no Brasil. Identificamos as contas no exterior mantidas pelo grupo Opportunity. Com isto, enviamos os dados aos países com registros de que tenham recepcionado ou mantenham em seus depósitos valores suspeitos de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A partir daí, o país vai avaliar a proveniência do dinheiro e, caso não seja justificada a origem, pedem mais informações para verificar possíveis semelhanças de valores. Para pedir o bloqueio e o repatriamento do dinheiro. Mas é preciso lembrar que estes são valores identificados na primeira fase da investigação. Ainda não chegamos aos valores da segunda fase, ainda em andamento. Acredito que o nome dos investidores fraudulentos e os responsáveis pela remessa de dinheiro suspeito sem origem serão descobertos a partir da quebra de sigilo dos HDs que foram apreendidos.
O dinheiro apreendido representa quantos por cento das operações do Opportunity no exterior?
O valor que conseguimos identificar representaria em torno de 20% das operações do Opportunity no exterior.
O que implica essa diferença entre os valores apresentados pelo Ministério da Justiça e Ministério Público Federal?
Pode ter ocorrido o mesmo que no caso Maluf, o desencontro pode estar na remessa dos documentos enviados. Não se trata de uma diferença de valores. Houve o anúncio de bloqueio pelo Ministério e Secretaria Nacional de Justiça e também houve uma manifestação do Ministério Público Federal divergindo dos valores bloqueados. Mas o que importa é que existem US$ 2 bilhões bloqueados à disposição do Brasil para o repatriamento. O desencontro de informações não interessa.
O que quer dizer que "não tem origem provada"? Que todo mundo que está ali vai perder o que tem se não provar a origem?
Um dinheiro sem registros, sem declarações no imposto de renda, sem origem provada e sem justificativas às autoridades brasileiras sobre o porquê da remessa ao exterior. Ou seja, valores suspeitos de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Tem muitos brasileiros envolvidos. Muitas pessoas importantes que, caso queiram manter o valor desbloqueado, terão de se apresentar à justiça brasileira e provar a origem do valor, a legalidade do dinheiro. Essas pessoas terão que explicar o porquê das contas no exterior. Na minha avaliação, são pessoas da mesma linha que Dantas.
Quem são?
Tenho que manter sigilo, mas garanto que não tem nenhum trabalhador honesto que sai de casa cedo pela manhã e sabe o quanto paga num pãozinho.
Terra Magazine - Poderia esclarecer o atentado que diz ter sofrido?
Protógenes Queiroz - Fui ao Rio de Janeiro cumprir uma agenda familiar. Me dirigi ao carro que eu sempre uso no Rio, ele fica na rua. Vezes eu o uso, vezes não, por medida de segurança. Esse carro estava parado desde dezembro em frente ao prédio onde mora meu filho. Entrei. Dei uma volta no quarteirão e "bum". Uma explosão no painel do carro. De maneira injustificada. O carro enfumaçou inteiro, parecia que estava pegando fogo. Enquanto isto, saíram dois esguichos de água fervente e ácida sobre o meu corpo. Sorte que eu estava de calça jeans e sapato. Poderia ter sido pior, caso eu estivesse em alta velocidade. Poderia, na verdade, ter sido fatal. Sorte que eu estava a 40 km/h. Parei o carro imediatamente e saí. Fui socorrido por populares e peguei um taxi para me dirigir a um hospital de emergência. No meio do caminho, decidi ir a um médico de confiança minha para que, se fosse uma lesão mais grave, ser encaminhado a um hospital próprio para o caso. Foi grave. Queimadura de segundo grau profundo. Por isto é que vim me tratar no Hospital das Clínicas em São Paulo, onde tem mais recursos, no setor de Queimados e Cirurgia Plástica. Fiz uma pequena cirurgia para tirar a pele. Quanto à razão, não dá para afirmar que foi somente acidente, porque existem fatos anteriores que me autorizam a pensar em sabotagem provocada por terceiros. Isto já é considerado por quem cuida do caso e estamos tomando as devidas providências.
O que te leva a pensar que foi um atentado e não um acidente?
Vigilâncias, pressões e ameaças durante e depois da operação Satiagraha. Coisas não explicadas até agora. Mas já existem duas investigações iniciadas, uma em Brasília e a outra em São Paulo, ambas sob a responsabilidade do Ministério Público Federal. Até agora não se chegou a nenhuma conclusão, até porque os dados estão sendo tratados em sigilo.
É verdade que se negou a receber auxílio da Polícia Federal?
Surgiu uma história que me leva a crer que realmente existe algo obscuro no acidente. Logo depois de noticiado o meu acidente, publicou-se uma notícia mentirosa, de grupos interessados, dizendo que eu tinha me recusado a ir à Polícia Civil do Rio de Janeiro, negado auxílio da PF e que o carro tinha sido alvejado por um disparo de arma de fogo no radiador. Inventaram também que um carro da Polícia Civil tinha parado lá... Isso tudo é falácia. Mentira. Foi lançado na mídia pelos mesmos grupos que ainda me acompanham, seguem, vigiam. Fui socorrido por populares, como te disse. O carro? Guardado em local seguro para uma avaliação.
Acredita que o bloqueio de recursos do Opportunity tenha quebrado a tese de Daniel Dantas de que as investigações passaram a ser perseguições pessoais?
Agora, as investigações contra o grupo Opportunity e contra o banqueiro bandido Daniel Dantas existem em quatro países. Em ordem cronológica, os bloqueios se deram no Brasil, que bloqueou em setembro, por decisão do Fausto De Sanctis, quase meio bilhão de dólares, Inglaterra (US$45 milhões), Suíça e Estados Unidos. Ou seja, já foram bloqueados quase US$ 3 bilhões. Durante as investigações, tínhamos indícios de que Dantas desviou do Brasil para paraísos fiscais uma quantia aproximada de US$ 16 bilhões. E, como sabemos, dinheiro originário dos cofres públicos e corrupção, isto desde as privatizações. Então, este bloqueio não é nenhuma surpresa porque eram valores já identificados pela operação Satiagraha. Isto mostra que tudo o que coletamos durante as investigações são dados que provam o indício de ilícito e fraude no mercado financeiro. Não só no Brasil, mas com reflexos em outros países. Agora que estes localizaram o dinheiro brasileiro, bloquearam.
Como surgiu o bloqueio?
O bloqueio nasce com dados levantados aqui no Brasil. Identificamos as contas no exterior mantidas pelo grupo Opportunity. Com isto, enviamos os dados aos países com registros de que tenham recepcionado ou mantenham em seus depósitos valores suspeitos de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A partir daí, o país vai avaliar a proveniência do dinheiro e, caso não seja justificada a origem, pedem mais informações para verificar possíveis semelhanças de valores. Para pedir o bloqueio e o repatriamento do dinheiro. Mas é preciso lembrar que estes são valores identificados na primeira fase da investigação. Ainda não chegamos aos valores da segunda fase, ainda em andamento. Acredito que o nome dos investidores fraudulentos e os responsáveis pela remessa de dinheiro suspeito sem origem serão descobertos a partir da quebra de sigilo dos HDs que foram apreendidos.
O dinheiro apreendido representa quantos por cento das operações do Opportunity no exterior?
O valor que conseguimos identificar representaria em torno de 20% das operações do Opportunity no exterior.
O que implica essa diferença entre os valores apresentados pelo Ministério da Justiça e Ministério Público Federal?
Pode ter ocorrido o mesmo que no caso Maluf, o desencontro pode estar na remessa dos documentos enviados. Não se trata de uma diferença de valores. Houve o anúncio de bloqueio pelo Ministério e Secretaria Nacional de Justiça e também houve uma manifestação do Ministério Público Federal divergindo dos valores bloqueados. Mas o que importa é que existem US$ 2 bilhões bloqueados à disposição do Brasil para o repatriamento. O desencontro de informações não interessa.
O que quer dizer que "não tem origem provada"? Que todo mundo que está ali vai perder o que tem se não provar a origem?
Um dinheiro sem registros, sem declarações no imposto de renda, sem origem provada e sem justificativas às autoridades brasileiras sobre o porquê da remessa ao exterior. Ou seja, valores suspeitos de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Tem muitos brasileiros envolvidos. Muitas pessoas importantes que, caso queiram manter o valor desbloqueado, terão de se apresentar à justiça brasileira e provar a origem do valor, a legalidade do dinheiro. Essas pessoas terão que explicar o porquê das contas no exterior. Na minha avaliação, são pessoas da mesma linha que Dantas.
Quem são?
Tenho que manter sigilo, mas garanto que não tem nenhum trabalhador honesto que sai de casa cedo pela manhã e sabe o quanto paga num pãozinho.
Dantas já desviou quase US$ 16 bi, diz Protógenes
Terra Magazine - Operação Satiagraha - Exclusivo
Quinta, 29 de janeiro de 2009, 10h29 Atualizada às 10h34
Dantas já desviou quase US$ 16 bi, diz Protógenes
Marcela Rocha
Especial para Terra Magazine
Em entrevista exclusiva a Terra Magazine, o delegado que comandou a operação Satiagraha, Protógenes Queiroz, conta que a investigação sobre o banqueiro Daniel Dantas apontou indícios de que foram desviados cerca de US$ 16 bilhões do Brasil para paraísos fiscais no exterior. O dinheiro, segundo Protógenes, é "originário dos cofres públicos e corrupção".
Veja também:
» Satiagraha: governo bloqueia US$ 2 bi enviados ao exterior
» Opine aqui sobre a operação Satiagraha da Polícia Federal
» De Grandis: Bloqueio derruba tese de Dantas
Na última quinta-feira, 22, foram bloqueados US$ 2 bilhões que haviam sido enviados ao exterior pelo grupo Opportunity. A paralisação da movimentação dos ativos suspeitos é a maior da história do Brasil.
O delegado da Polícia Federal revela:
- O valor que conseguimos identificar, (os US$ 2 bilhões apreendidos) representaria em torno de 20% das operações do Opportunity no exterior.
Protógenes explica que se trata de um dinheiro sem registros, sem declarações no imposto de renda, sem origem provada e sem justificativas às autoridades brasileiras sobre o porquê da remessa ao exterior. Prossegue: "Ou seja, valores suspeitos de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Tem muitos brasileiros envolvidos".
Responsável também pela prisão do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) e do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, Queiroz está de licença médica após ter sido vítima de "um atentado", segundo suas próprias palavras.
No incidente, houve uma explosão no painel do carro que esguichou água fervente e ácida sobre seu corpo. Ele acredita ter sofrido o atentado por sofrer vigilâncias, pressões e ameaças durante e depois da operação Satiagraha.
- Já existem duas investigações iniciadas, uma em Brasília (sobre a legitimidade das interceptações telef�?nicas feitas durante a operação Satiagraha) e a outra em São Paulo (sobre vazamento de informação sigilosa sobre a operação). Ambas estão sob a responsabilidade do Ministério Público Federal. Até agora não se chegou a nenhuma conclusão, até porque os dados estão sendo tratados em sigilo.
Terra Magazine publica abaixo a primeira parte da entrevista com o delegado Protógenes Queiroz. A segunda parte será publicada às 14h00 horas desta quinta-feira, 29.
Terra Magazine - Poderia esclarecer o atentado que diz ter sofrido?
Protógenes Queiroz - Fui ao Rio de Janeiro cumprir uma agenda familiar. Me dirigi ao carro que eu sempre uso no Rio, ele fica na rua. Vezes eu o uso, vezes não, por medida de segurança. Esse carro estava parado desde dezembro em frente ao prédio onde mora meu filho. Entrei. Dei uma volta no quarteirão e "bum". Uma explosão no painel do carro. De maneira injustificada. O carro enfumaçou inteiro, parecia que estava pegando fogo. Enquanto isto, saíram dois esguichos de água fervente e ácida sobre o meu corpo. Sorte que eu estava de calça jeans e sapato. Poderia ter sido pior, caso eu estivesse em alta velocidade. Poderia, na verdade, ter sido fatal. Sorte que eu estava a 40 km/h. Parei o carro imediatamente e saí. Fui socorrido por populares e peguei um taxi para me dirigir a um hospital de emergência. No meio do caminho, decidi ir a um médico de confiança minha para que, se fosse uma lesão mais grave, ser encaminhado a um hospital próprio para o caso. Foi grave. Queimadura de segundo grau profundo. Por isto é que vim me tratar no Hospital das Clínicas em São Paulo, onde tem mais recursos, no setor de Queimados e Cirurgia Plástica. Fiz uma pequena cirurgia para tirar a pele. Quanto à razão, não dá para afirmar que foi somente acidente, porque existem fatos anteriores que me autorizam a pensar em sabotagem provocada por terceiros. Isto já é considerado por quem cuida do caso e estamos tomando as devidas providências.
O que te leva a pensar que foi um atentado e não um acidente?
Vigilâncias, pressões e ameaças durante e depois da operação Satiagraha. Coisas não explicadas até agora. Mas já existem duas investigações iniciadas, uma em Brasília e a outra em São Paulo, ambas sob a responsabilidade do Ministério Público Federal. Até agora não se chegou a nenhuma conclusão, até porque os dados estão sendo tratados em sigilo.
É verdade que se negou a receber auxílio da Polícia Federal?
Surgiu uma história que me leva a crer que realmente existe algo obscuro no acidente. Logo depois de noticiado o meu acidente, publicou-se uma notícia mentirosa, de grupos interessados, dizendo que eu tinha me recusado a ir à Polícia Civil do Rio de Janeiro, negado auxílio da PF e que o carro tinha sido alvejado por um disparo de arma de fogo no radiador. Inventaram também que um carro da Polícia Civil tinha parado lá... Isso tudo é falácia. Mentira. Foi lançado na mídia pelos mesmos grupos que ainda me acompanham, seguem, vigiam. Fui socorrido por populares, como te disse. O carro? Guardado em local seguro para uma avaliação.
Acredita que o bloqueio de recursos do Opportunity tenha quebrado a tese de Daniel Dantas de que as investigações passaram a ser perseguições pessoais?
Agora, as investigações contra o grupo Opportunity e contra o banqueiro bandido Daniel Dantas existem em quatro países. Em ordem cronológica, os bloqueios se deram no Brasil, que bloqueou em setembro, por decisão do Fausto De Sanctis, quase meio bilhão de dólares, Inglaterra (US$45 milhões), Suíça e Estados Unidos. Ou seja, já foram bloqueados quase US$ 3 bilhões. Durante as investigações, tínhamos indícios de que Dantas desviou do Brasil para paraísos fiscais uma quantia aproximada de US$ 16 bilhões. E, como sabemos, dinheiro originário dos cofres públicos e corrupção, isto desde as privatizações. Então, este bloqueio não é nenhuma surpresa porque eram valores já identificados pela operação Satiagraha. Isto mostra que tudo o que coletamos durante as investigações s� �o dados que provam o indício de ilícito e fraude no mercado financeiro. Não só no Brasil, mas com reflexos em outros países. Agora que estes localizaram o dinheiro brasileiro, bloquearam.
Como surgiu o bloqueio?
O bloqueio nasce com dados levantados aqui no Brasil. Identificamos as contas no exterior mantidas pelo grupo Opportunity. Com isto, enviamos os dados aos países com registros de que tenham recepcionado ou mantenham em seus depósitos valores suspeitos de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A partir daí, o país vai avaliar a proveniência do dinheiro e, caso não seja justificada a origem, pedem mais informações para verificar possíveis semelhanças de valores. Para pedir o bloqueio e o repatriamento do dinheiro. Mas é preciso lembrar que estes são valores identificados na primeira fase da investigação. Ainda não chegamos aos valores da segunda fase, ainda em andamento. Acredito que o nome dos investidores fraudulentos e os responsáveis pela remessa de dinheiro suspeito sem origem serão descobertos a partir da quebra de sigilo dos HDs que foram apreendidos.
O dinheiro apreendido representa quantos por cento das operações do Opportunity no exterior?
O valor que conseguimos identificar representaria em torno de 20% das operações do Opportunity no exterior.
O que implica essa diferença entre os valores apresentados pelo Ministério da Justiça e Ministério Público Federal?
Pode ter ocorrido o mesmo que no caso Maluf, o desencontro pode estar na remessa dos documentos enviados. Não se trata de uma diferença de valores. Houve o anúncio de bloqueio pelo Ministério e Secretaria Nacional de Justiça e também houve uma manifestação do Ministério Público Federal divergindo dos valores bloqueados. Mas o que importa é que existem US$ 2 bilhões bloqueados à disposição do Brasil para o repatriamento. O desencontro de informações não interessa.
O que quer dizer que "não tem origem provada"? Que todo mundo que está ali vai perder o que tem se não provar a origem?
Um dinheiro sem registros, sem declarações no imposto de renda, sem origem provada e sem justificativas às autoridades brasileiras sobre o porquê da remessa ao exterior. Ou seja, valores suspeitos de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Tem muitos brasileiros envolvidos. Muitas pessoas importantes que, caso queiram manter o valor desbloqueado, terão de se apresentar à justiça brasileira e provar a origem do valor, a legalidade do dinheiro. Essas pessoas terão que explicar o porquê das contas no exterior. Na minha avaliação, são pessoas da mesma linha que Dantas.
Quem são?
Tenho que manter sigilo, mas garanto que não tem nenhum trabalhador honesto que sai de casa cedo pela manhã e sabe o quanto paga num pãozinho.
Quinta, 29 de janeiro de 2009, 14h02 Atualizada às 16h17
Protógenes: HDs na CIA fragilizam investigação
Marcela Rocha
Especial para Terra Magazine
Na segunda parte da entrevista a Terra Magazine (confira aqui a primeira), o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz fala sobre o envio dos HDs de Daniel Dantas à Agência Central de Inteligência norte-americana, a CIA.
Para Queiroz, a entrega dos discos rígidos dos computadores apreendidos na Operação Satiagraha "fragiliza muito as investigações". Explica:
- Um dos principais bancos dos EUA, o City Group, participou dessa fraude no Brasil. Mas acredito que não tiveram outra saída (enviar as provas à CIA), haja vista que o sistema brasileiro de inteligência foi desmontado de maneira insana e irresponsável.
Veja também:
» Dantas já desviou quase US$ 16 bi, diz Protógenes
» Opine aqui sobre a operação Satiagraha da Polícia Federal
» Satiagraha: governo bloqueia US$ 2 bi enviados ao exterior
» De Grandis: Bloqueio derruba tese de Dantas
A justiça brasileira pediu ajuda aos Estados Unidos para descriptografar discos rígidos apreendidos. Com essa medida, diz Protógenes, "tentam retardar o processo investigativo, e ele requer velocidade". Questiona:
- Será que nós, no Brasil, somos incapazes mesmo?
O delegado critica o andamento de dois inquéritos abertos. Um em Brasília, sobre a legitimidade das interceptações telef�?nicas feitas durante a operação Satiagraha. O outro em São Paulo, sobre vazamento de informação sigilosa da operação.
- Até agora o único andamento foi a busca e apreensão que eu e meus familiares sofremos. (...) Mas quero ressaltar que ainda não apareceu nenhuma confirmação de grampo.
Protógenes Queiroz conta que a investigação sobre sua atuação na Satiagraha foi iniciada pela PF e segue "num ritmo bem acelerado, disponibilizando recursos e material humano. Porém, até agora, não fui ouvido, chamado para depor", diz. "Pedi várias vezes para ser ouvido", revela.
Para o delegado, o recente vazamento de relatórios oficiais da operação precisa ser investigado. "Existe um documento oficial e alguém entregou. Então, quem elaborou os relatórios, o mesmo que investiga, é o primeiro suspeito".
Adianta que, "caso não tenham sido instauradas investigações sobre esses três vazamentos", irá representar, "junto ao MP, a requisição da instauração de inquérito policial".
Protógenes está afastado de suas atividades por licença médica. Dia 15 de janeiro houve uma explosão no painel de seu carro que esguichou água fervente e ácida sobre seu corpo. Ele acredita ter sido vítima de um atentado por sofrer vigilâncias, pressões e ameaças durante e depois da operação Satiagraha.
O delegado revela que, quando retomar suas atividades, passará a atuar na coordenação de segurança responsável por sem-terra, índios e segurança de dignitários, ministros e presidente da República - a Coordenação Geral de Defesa Institucional (CGDI). "Fiz um concurso para delegado federal, onde não se pode escolher com o que trabalhar".
Enquanto se recupera do que considera ter sido um atentado, aproveita o tempo livre para retomar algumas práticas do dia-a-dia. Terra Magazine pergunta:
- O que está fazendo agora?
- Lendo.
- O quê?
- A corporação, Caso Telecom Itália e Gomorra que conta a história da máfia italiana Camorra.
Confira a entrevista:
Terra Magazine - A Polícia Federal não tinha condições de abrir os discos rígidos aqui, no Brasil? Era necessário mandá-los para CIA nos Estados Unidos?
Protógenes Queiroz - Eu entendo que, ao enviar os discos rígidos para a CIA, antecipam-se informações às autoridades estrangeiras. Isto pode trazer graves conseq�?ências à investigação. Haveria necessidade de pedir apoio? Sim, mas nesse momento as autoridades brasileiras deveriam enviar técnicos daqui para acompanhar o trabalho que está sendo realizado nos EUA. Até porque um dos principais bancos dos EUA, o City Group, participou dessa fraude no Brasil. Assim, fragilizam muito as investigações. Mas acredito que não tiveram outra saída, haja vista que o sistema brasileiro de inteligência foi desmontado de maneira insana e irresponsável. Desmontou-se todo o sistema de inteligência do departamento de PF, o qual poderia estar trabalhando para descriptografar esses discos rígidos . Eu mesmo, ao longo da operação, consegui obter algumas informações assim. Por que pedir auxílio e dizer que, no Brasil, não há como fazer isso? Na minha avaliação isso tudo é conseq�?ência do mesmo processo que vivi lá. Tentam retardar o processo investigativo, e ele requer velocidade. Tenho a certeza de que os colegas estão dando o melhor de si para acelerar a operação, mas o establishment imp�?s a ordem de desmontar uma estrutura (tecnológica e de recursos humanos) que poderia ser útil ao País, caso lhes dessem condições. Será que nós, no Brasil, somos incapazes mesmo? Não existe tecnologia capaz disto aqui? Acredito que existe sim, veja os centros de tecnologia da USP, UFRJ, UnB. Mas o Estado não disponibiliza o aparato necessário à PF. Sem saída, tiveram que recorrer.
Como está o andamento do inquérito sobre vazamentos? Aquele que entrou com uma representação para investigar a sua saída e a cúpula da PF.
Até agora o único andamento foi a busca e apreensão que eu e meus familiares sofremos.
Refiro-me à representação para investigar a cúpula da PF...
Entrei com a representação para abrir uma investigação logo depois da deflagração da operação. Está em andamento e corre em segredo de justiça. Acredito que os colegas da procuradoria logo darão uma resposta. A investigação que a PF iniciou contra mim seguiu num ritmo bem acelerado, disponibilizando recursos e material humano. Porém, até agora, não fui ouvido, chamado para depor. Pedi várias vezes para ser ouvido e me respondem que o serei no momento oportuno. O que é interessante é que já houve três vazamentos dessa investigação contra mim e cadê a providência que a PF tem que tomar em relação a vazamentos? Eu quero saber das providências. Foram três vazamentos seguidos, quero saber das três novas investigações distintas, pois são fatos distintos. Se foram instauradas e estão em sigilo, ok. Mas por que, quando instauraram uma contra mim, deram notícia, publicidade? Por que nesses vazamentos da investigação contra mim não deram publicidade nenhuma, caso haja investigações sobre? Então, estou coletando informações com os meus advogados para que, caso não tenham sido instauradas investigações sobre esses três vazamentos, vou representar, junto ao MP, a requisição da instauração de inquérito policial. E é evidente que não fui eu nem ninguém da minha equipe que vazou.
Por quê?
Porque estão estampando documentos O-FI-CI-AIS da operação em jornais. O jornal O Estado de S. Paulo publicou um documento oficial da Polícia Federal. Cadê o documento oficial vazado da Operação Satiagraha? Não existe. Estão me acusando de vazamento? Então cadê os documentos oficiais publicados na imprensa? A única coisa que a imprensa publicou foi o vazamento dentro da PF em abril e não apuram nada. Instauraram inquérito contra mim dizendo que houve vazamento no dia da execução da operação. Vazou algum relatório da PF enquanto eu estava coordenando a operação? Algum órgão de imprensa publicou algum relatório de inteligência? Não. E a estrutura do Estado funcionou para se voltar contra mim. E não funciona para investigar três vazamentos sucessivos de dados oficiais da operação Satiagraha. São dados de backup da operação. Tem que existir backup, mas hoje estão sendo divulgados pela imprensa. Quem va zou? Eu não fui. Eu não produzi aqueles relatórios que a imprensa está publicando. Quem produz é quem investiga atualmente. Ou seja, as pessoas que estão ME investigando atualmente são as que precisam prestar contas sobre os vazamentos.
Na nossa outra conversa, quando falava em vazamentos, se referia à "cúpula". Quem é a cúpula? Sabemos que acima do senhor tinha, na área de Inteligência, o Sr. Daniel Lorenz, diretor de Inteligência, e seu diretor, e o Sr. Luis Fernando, diretor geral. É a eles que se refere?
Sim, eles são os meus superiores hierárquicos. Mas não serei leviano de apontar ninguém, porque até então os indícios não são ainda sólidos o suficiente para dizer que Fulano ou Sicrano vazou para o jornalista ou jornal. É como o vazamento da investigação sobre o vazamento. Existe um documento oficial e alguém entregou. Então, quem elaborou os relatórios, o mesmo que investiga, é o primeiro suspeito. Não posso apontar, mas já encaminhei dados suficientes ao Ministério Público Federal para que julguem quem é mesmo o responsável pelos vazamentos.
Com o avanço das investigações da PF em Brasília (sobre o suposto grampo no STF) e da PF em São Paulo (sobre o vazamento), não há confirmação (inclusive analisando seus computadores) de um grampo contra Gilmar Mendes. Como o senhor acha que isso vai se desenrolar?
O inquérito do grampo sobre o ministro Gilmar Mendes encerra agora em fevereiro, pelo que tenho acompanhado, via imprensa. Vamos aguardar. Mas quero ressaltar que ainda não apareceu nenhuma confirmação de grampo.
Até quando vai ficar afastado? Voltará a trabalhar na mesma área?
Estou de licença médica. Mas acredito que só até fevereiro. Em março retorno às atividades na PF. Fui informado por telefone pelo Dr. Fontel, diretor executivo, que eu estaria lotado, no início, na coordenação de defesa institucional, na CGDI. É a coordenação responsável por sem-terra, índios e segurança de dignitários, ministros e presidente da república. Mas ele disse que é uma lotação inicial, pode um dia haver uma alteração. Nada é definitivo. Eu só não poderia ficar sem uma lotação para ficar.
Para um delegado com 10 anos de trabalho no combate à corrupção, é confortável mudar de área de atuação?
Eu sou delegado de PF. Trabalho em qualquer setor. Mas a minha especialização em 10 anos de PF é voltada para a área de inteligência, terrorismo e crimes financeiros. O setor para o qual serei encaminhado requer outras especializações, e eu não tenho nenhum curso nessa área.
Acredita que isto é para te afastar das investigações?
É, não foi afirmado isso. Mas me disseram que foi o primeiro lugar que encontraram para me colocar. Fiz um concurso para delegado federal, onde não se pode escolher com o que trabalhar.
O que está fazendo agora?
Lendo.
O quê?
A corporação, Caso Telecom Itália e Gomorra que conta a história da máfia italiana Camorra.
Quinta, 29 de janeiro de 2009, 10h29 Atualizada às 10h34
Dantas já desviou quase US$ 16 bi, diz Protógenes
Marcela Rocha
Especial para Terra Magazine
Em entrevista exclusiva a Terra Magazine, o delegado que comandou a operação Satiagraha, Protógenes Queiroz, conta que a investigação sobre o banqueiro Daniel Dantas apontou indícios de que foram desviados cerca de US$ 16 bilhões do Brasil para paraísos fiscais no exterior. O dinheiro, segundo Protógenes, é "originário dos cofres públicos e corrupção".
Veja também:
» Satiagraha: governo bloqueia US$ 2 bi enviados ao exterior
» Opine aqui sobre a operação Satiagraha da Polícia Federal
» De Grandis: Bloqueio derruba tese de Dantas
Na última quinta-feira, 22, foram bloqueados US$ 2 bilhões que haviam sido enviados ao exterior pelo grupo Opportunity. A paralisação da movimentação dos ativos suspeitos é a maior da história do Brasil.
O delegado da Polícia Federal revela:
- O valor que conseguimos identificar, (os US$ 2 bilhões apreendidos) representaria em torno de 20% das operações do Opportunity no exterior.
Protógenes explica que se trata de um dinheiro sem registros, sem declarações no imposto de renda, sem origem provada e sem justificativas às autoridades brasileiras sobre o porquê da remessa ao exterior. Prossegue: "Ou seja, valores suspeitos de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Tem muitos brasileiros envolvidos".
Responsável também pela prisão do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) e do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, Queiroz está de licença médica após ter sido vítima de "um atentado", segundo suas próprias palavras.
No incidente, houve uma explosão no painel do carro que esguichou água fervente e ácida sobre seu corpo. Ele acredita ter sofrido o atentado por sofrer vigilâncias, pressões e ameaças durante e depois da operação Satiagraha.
- Já existem duas investigações iniciadas, uma em Brasília (sobre a legitimidade das interceptações telef�?nicas feitas durante a operação Satiagraha) e a outra em São Paulo (sobre vazamento de informação sigilosa sobre a operação). Ambas estão sob a responsabilidade do Ministério Público Federal. Até agora não se chegou a nenhuma conclusão, até porque os dados estão sendo tratados em sigilo.
Terra Magazine publica abaixo a primeira parte da entrevista com o delegado Protógenes Queiroz. A segunda parte será publicada às 14h00 horas desta quinta-feira, 29.
Terra Magazine - Poderia esclarecer o atentado que diz ter sofrido?
Protógenes Queiroz - Fui ao Rio de Janeiro cumprir uma agenda familiar. Me dirigi ao carro que eu sempre uso no Rio, ele fica na rua. Vezes eu o uso, vezes não, por medida de segurança. Esse carro estava parado desde dezembro em frente ao prédio onde mora meu filho. Entrei. Dei uma volta no quarteirão e "bum". Uma explosão no painel do carro. De maneira injustificada. O carro enfumaçou inteiro, parecia que estava pegando fogo. Enquanto isto, saíram dois esguichos de água fervente e ácida sobre o meu corpo. Sorte que eu estava de calça jeans e sapato. Poderia ter sido pior, caso eu estivesse em alta velocidade. Poderia, na verdade, ter sido fatal. Sorte que eu estava a 40 km/h. Parei o carro imediatamente e saí. Fui socorrido por populares e peguei um taxi para me dirigir a um hospital de emergência. No meio do caminho, decidi ir a um médico de confiança minha para que, se fosse uma lesão mais grave, ser encaminhado a um hospital próprio para o caso. Foi grave. Queimadura de segundo grau profundo. Por isto é que vim me tratar no Hospital das Clínicas em São Paulo, onde tem mais recursos, no setor de Queimados e Cirurgia Plástica. Fiz uma pequena cirurgia para tirar a pele. Quanto à razão, não dá para afirmar que foi somente acidente, porque existem fatos anteriores que me autorizam a pensar em sabotagem provocada por terceiros. Isto já é considerado por quem cuida do caso e estamos tomando as devidas providências.
O que te leva a pensar que foi um atentado e não um acidente?
Vigilâncias, pressões e ameaças durante e depois da operação Satiagraha. Coisas não explicadas até agora. Mas já existem duas investigações iniciadas, uma em Brasília e a outra em São Paulo, ambas sob a responsabilidade do Ministério Público Federal. Até agora não se chegou a nenhuma conclusão, até porque os dados estão sendo tratados em sigilo.
É verdade que se negou a receber auxílio da Polícia Federal?
Surgiu uma história que me leva a crer que realmente existe algo obscuro no acidente. Logo depois de noticiado o meu acidente, publicou-se uma notícia mentirosa, de grupos interessados, dizendo que eu tinha me recusado a ir à Polícia Civil do Rio de Janeiro, negado auxílio da PF e que o carro tinha sido alvejado por um disparo de arma de fogo no radiador. Inventaram também que um carro da Polícia Civil tinha parado lá... Isso tudo é falácia. Mentira. Foi lançado na mídia pelos mesmos grupos que ainda me acompanham, seguem, vigiam. Fui socorrido por populares, como te disse. O carro? Guardado em local seguro para uma avaliação.
Acredita que o bloqueio de recursos do Opportunity tenha quebrado a tese de Daniel Dantas de que as investigações passaram a ser perseguições pessoais?
Agora, as investigações contra o grupo Opportunity e contra o banqueiro bandido Daniel Dantas existem em quatro países. Em ordem cronológica, os bloqueios se deram no Brasil, que bloqueou em setembro, por decisão do Fausto De Sanctis, quase meio bilhão de dólares, Inglaterra (US$45 milhões), Suíça e Estados Unidos. Ou seja, já foram bloqueados quase US$ 3 bilhões. Durante as investigações, tínhamos indícios de que Dantas desviou do Brasil para paraísos fiscais uma quantia aproximada de US$ 16 bilhões. E, como sabemos, dinheiro originário dos cofres públicos e corrupção, isto desde as privatizações. Então, este bloqueio não é nenhuma surpresa porque eram valores já identificados pela operação Satiagraha. Isto mostra que tudo o que coletamos durante as investigações s� �o dados que provam o indício de ilícito e fraude no mercado financeiro. Não só no Brasil, mas com reflexos em outros países. Agora que estes localizaram o dinheiro brasileiro, bloquearam.
Como surgiu o bloqueio?
O bloqueio nasce com dados levantados aqui no Brasil. Identificamos as contas no exterior mantidas pelo grupo Opportunity. Com isto, enviamos os dados aos países com registros de que tenham recepcionado ou mantenham em seus depósitos valores suspeitos de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A partir daí, o país vai avaliar a proveniência do dinheiro e, caso não seja justificada a origem, pedem mais informações para verificar possíveis semelhanças de valores. Para pedir o bloqueio e o repatriamento do dinheiro. Mas é preciso lembrar que estes são valores identificados na primeira fase da investigação. Ainda não chegamos aos valores da segunda fase, ainda em andamento. Acredito que o nome dos investidores fraudulentos e os responsáveis pela remessa de dinheiro suspeito sem origem serão descobertos a partir da quebra de sigilo dos HDs que foram apreendidos.
O dinheiro apreendido representa quantos por cento das operações do Opportunity no exterior?
O valor que conseguimos identificar representaria em torno de 20% das operações do Opportunity no exterior.
O que implica essa diferença entre os valores apresentados pelo Ministério da Justiça e Ministério Público Federal?
Pode ter ocorrido o mesmo que no caso Maluf, o desencontro pode estar na remessa dos documentos enviados. Não se trata de uma diferença de valores. Houve o anúncio de bloqueio pelo Ministério e Secretaria Nacional de Justiça e também houve uma manifestação do Ministério Público Federal divergindo dos valores bloqueados. Mas o que importa é que existem US$ 2 bilhões bloqueados à disposição do Brasil para o repatriamento. O desencontro de informações não interessa.
O que quer dizer que "não tem origem provada"? Que todo mundo que está ali vai perder o que tem se não provar a origem?
Um dinheiro sem registros, sem declarações no imposto de renda, sem origem provada e sem justificativas às autoridades brasileiras sobre o porquê da remessa ao exterior. Ou seja, valores suspeitos de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Tem muitos brasileiros envolvidos. Muitas pessoas importantes que, caso queiram manter o valor desbloqueado, terão de se apresentar à justiça brasileira e provar a origem do valor, a legalidade do dinheiro. Essas pessoas terão que explicar o porquê das contas no exterior. Na minha avaliação, são pessoas da mesma linha que Dantas.
Quem são?
Tenho que manter sigilo, mas garanto que não tem nenhum trabalhador honesto que sai de casa cedo pela manhã e sabe o quanto paga num pãozinho.
Quinta, 29 de janeiro de 2009, 14h02 Atualizada às 16h17
Protógenes: HDs na CIA fragilizam investigação
Marcela Rocha
Especial para Terra Magazine
Na segunda parte da entrevista a Terra Magazine (confira aqui a primeira), o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz fala sobre o envio dos HDs de Daniel Dantas à Agência Central de Inteligência norte-americana, a CIA.
Para Queiroz, a entrega dos discos rígidos dos computadores apreendidos na Operação Satiagraha "fragiliza muito as investigações". Explica:
- Um dos principais bancos dos EUA, o City Group, participou dessa fraude no Brasil. Mas acredito que não tiveram outra saída (enviar as provas à CIA), haja vista que o sistema brasileiro de inteligência foi desmontado de maneira insana e irresponsável.
Veja também:
» Dantas já desviou quase US$ 16 bi, diz Protógenes
» Opine aqui sobre a operação Satiagraha da Polícia Federal
» Satiagraha: governo bloqueia US$ 2 bi enviados ao exterior
» De Grandis: Bloqueio derruba tese de Dantas
A justiça brasileira pediu ajuda aos Estados Unidos para descriptografar discos rígidos apreendidos. Com essa medida, diz Protógenes, "tentam retardar o processo investigativo, e ele requer velocidade". Questiona:
- Será que nós, no Brasil, somos incapazes mesmo?
O delegado critica o andamento de dois inquéritos abertos. Um em Brasília, sobre a legitimidade das interceptações telef�?nicas feitas durante a operação Satiagraha. O outro em São Paulo, sobre vazamento de informação sigilosa da operação.
- Até agora o único andamento foi a busca e apreensão que eu e meus familiares sofremos. (...) Mas quero ressaltar que ainda não apareceu nenhuma confirmação de grampo.
Protógenes Queiroz conta que a investigação sobre sua atuação na Satiagraha foi iniciada pela PF e segue "num ritmo bem acelerado, disponibilizando recursos e material humano. Porém, até agora, não fui ouvido, chamado para depor", diz. "Pedi várias vezes para ser ouvido", revela.
Para o delegado, o recente vazamento de relatórios oficiais da operação precisa ser investigado. "Existe um documento oficial e alguém entregou. Então, quem elaborou os relatórios, o mesmo que investiga, é o primeiro suspeito".
Adianta que, "caso não tenham sido instauradas investigações sobre esses três vazamentos", irá representar, "junto ao MP, a requisição da instauração de inquérito policial".
Protógenes está afastado de suas atividades por licença médica. Dia 15 de janeiro houve uma explosão no painel de seu carro que esguichou água fervente e ácida sobre seu corpo. Ele acredita ter sido vítima de um atentado por sofrer vigilâncias, pressões e ameaças durante e depois da operação Satiagraha.
O delegado revela que, quando retomar suas atividades, passará a atuar na coordenação de segurança responsável por sem-terra, índios e segurança de dignitários, ministros e presidente da República - a Coordenação Geral de Defesa Institucional (CGDI). "Fiz um concurso para delegado federal, onde não se pode escolher com o que trabalhar".
Enquanto se recupera do que considera ter sido um atentado, aproveita o tempo livre para retomar algumas práticas do dia-a-dia. Terra Magazine pergunta:
- O que está fazendo agora?
- Lendo.
- O quê?
- A corporação, Caso Telecom Itália e Gomorra que conta a história da máfia italiana Camorra.
Confira a entrevista:
Terra Magazine - A Polícia Federal não tinha condições de abrir os discos rígidos aqui, no Brasil? Era necessário mandá-los para CIA nos Estados Unidos?
Protógenes Queiroz - Eu entendo que, ao enviar os discos rígidos para a CIA, antecipam-se informações às autoridades estrangeiras. Isto pode trazer graves conseq�?ências à investigação. Haveria necessidade de pedir apoio? Sim, mas nesse momento as autoridades brasileiras deveriam enviar técnicos daqui para acompanhar o trabalho que está sendo realizado nos EUA. Até porque um dos principais bancos dos EUA, o City Group, participou dessa fraude no Brasil. Assim, fragilizam muito as investigações. Mas acredito que não tiveram outra saída, haja vista que o sistema brasileiro de inteligência foi desmontado de maneira insana e irresponsável. Desmontou-se todo o sistema de inteligência do departamento de PF, o qual poderia estar trabalhando para descriptografar esses discos rígidos . Eu mesmo, ao longo da operação, consegui obter algumas informações assim. Por que pedir auxílio e dizer que, no Brasil, não há como fazer isso? Na minha avaliação isso tudo é conseq�?ência do mesmo processo que vivi lá. Tentam retardar o processo investigativo, e ele requer velocidade. Tenho a certeza de que os colegas estão dando o melhor de si para acelerar a operação, mas o establishment imp�?s a ordem de desmontar uma estrutura (tecnológica e de recursos humanos) que poderia ser útil ao País, caso lhes dessem condições. Será que nós, no Brasil, somos incapazes mesmo? Não existe tecnologia capaz disto aqui? Acredito que existe sim, veja os centros de tecnologia da USP, UFRJ, UnB. Mas o Estado não disponibiliza o aparato necessário à PF. Sem saída, tiveram que recorrer.
Como está o andamento do inquérito sobre vazamentos? Aquele que entrou com uma representação para investigar a sua saída e a cúpula da PF.
Até agora o único andamento foi a busca e apreensão que eu e meus familiares sofremos.
Refiro-me à representação para investigar a cúpula da PF...
Entrei com a representação para abrir uma investigação logo depois da deflagração da operação. Está em andamento e corre em segredo de justiça. Acredito que os colegas da procuradoria logo darão uma resposta. A investigação que a PF iniciou contra mim seguiu num ritmo bem acelerado, disponibilizando recursos e material humano. Porém, até agora, não fui ouvido, chamado para depor. Pedi várias vezes para ser ouvido e me respondem que o serei no momento oportuno. O que é interessante é que já houve três vazamentos dessa investigação contra mim e cadê a providência que a PF tem que tomar em relação a vazamentos? Eu quero saber das providências. Foram três vazamentos seguidos, quero saber das três novas investigações distintas, pois são fatos distintos. Se foram instauradas e estão em sigilo, ok. Mas por que, quando instauraram uma contra mim, deram notícia, publicidade? Por que nesses vazamentos da investigação contra mim não deram publicidade nenhuma, caso haja investigações sobre? Então, estou coletando informações com os meus advogados para que, caso não tenham sido instauradas investigações sobre esses três vazamentos, vou representar, junto ao MP, a requisição da instauração de inquérito policial. E é evidente que não fui eu nem ninguém da minha equipe que vazou.
Por quê?
Porque estão estampando documentos O-FI-CI-AIS da operação em jornais. O jornal O Estado de S. Paulo publicou um documento oficial da Polícia Federal. Cadê o documento oficial vazado da Operação Satiagraha? Não existe. Estão me acusando de vazamento? Então cadê os documentos oficiais publicados na imprensa? A única coisa que a imprensa publicou foi o vazamento dentro da PF em abril e não apuram nada. Instauraram inquérito contra mim dizendo que houve vazamento no dia da execução da operação. Vazou algum relatório da PF enquanto eu estava coordenando a operação? Algum órgão de imprensa publicou algum relatório de inteligência? Não. E a estrutura do Estado funcionou para se voltar contra mim. E não funciona para investigar três vazamentos sucessivos de dados oficiais da operação Satiagraha. São dados de backup da operação. Tem que existir backup, mas hoje estão sendo divulgados pela imprensa. Quem va zou? Eu não fui. Eu não produzi aqueles relatórios que a imprensa está publicando. Quem produz é quem investiga atualmente. Ou seja, as pessoas que estão ME investigando atualmente são as que precisam prestar contas sobre os vazamentos.
Na nossa outra conversa, quando falava em vazamentos, se referia à "cúpula". Quem é a cúpula? Sabemos que acima do senhor tinha, na área de Inteligência, o Sr. Daniel Lorenz, diretor de Inteligência, e seu diretor, e o Sr. Luis Fernando, diretor geral. É a eles que se refere?
Sim, eles são os meus superiores hierárquicos. Mas não serei leviano de apontar ninguém, porque até então os indícios não são ainda sólidos o suficiente para dizer que Fulano ou Sicrano vazou para o jornalista ou jornal. É como o vazamento da investigação sobre o vazamento. Existe um documento oficial e alguém entregou. Então, quem elaborou os relatórios, o mesmo que investiga, é o primeiro suspeito. Não posso apontar, mas já encaminhei dados suficientes ao Ministério Público Federal para que julguem quem é mesmo o responsável pelos vazamentos.
Com o avanço das investigações da PF em Brasília (sobre o suposto grampo no STF) e da PF em São Paulo (sobre o vazamento), não há confirmação (inclusive analisando seus computadores) de um grampo contra Gilmar Mendes. Como o senhor acha que isso vai se desenrolar?
O inquérito do grampo sobre o ministro Gilmar Mendes encerra agora em fevereiro, pelo que tenho acompanhado, via imprensa. Vamos aguardar. Mas quero ressaltar que ainda não apareceu nenhuma confirmação de grampo.
Até quando vai ficar afastado? Voltará a trabalhar na mesma área?
Estou de licença médica. Mas acredito que só até fevereiro. Em março retorno às atividades na PF. Fui informado por telefone pelo Dr. Fontel, diretor executivo, que eu estaria lotado, no início, na coordenação de defesa institucional, na CGDI. É a coordenação responsável por sem-terra, índios e segurança de dignitários, ministros e presidente da república. Mas ele disse que é uma lotação inicial, pode um dia haver uma alteração. Nada é definitivo. Eu só não poderia ficar sem uma lotação para ficar.
Para um delegado com 10 anos de trabalho no combate à corrupção, é confortável mudar de área de atuação?
Eu sou delegado de PF. Trabalho em qualquer setor. Mas a minha especialização em 10 anos de PF é voltada para a área de inteligência, terrorismo e crimes financeiros. O setor para o qual serei encaminhado requer outras especializações, e eu não tenho nenhum curso nessa área.
Acredita que isto é para te afastar das investigações?
É, não foi afirmado isso. Mas me disseram que foi o primeiro lugar que encontraram para me colocar. Fiz um concurso para delegado federal, onde não se pode escolher com o que trabalhar.
O que está fazendo agora?
Lendo.
O quê?
A corporação, Caso Telecom Itália e Gomorra que conta a história da máfia italiana Camorra.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Ezequiel Nasser e Merrill Lynch duelam na Justiça de Nova York
Sexta-Feira, 30 de Janeiro de 2009 (do Estadão)
Ezequiel Nasser e Merrill Lynch duelam na Justiça de Nova York
Fundos de ex-banqueiro cobram do banco US$ 612 milhões; instituição diz que levou calote de US$ 78 milhões dos Nasser
David Friedlander e Patrícia CançadoTamanho do texto? A A A A
Dois dos personagens mais agressivos do mundo das finanças, o banco americano Merrill Lynch e o ex-banqueiro Ezequiel Nasser, que foi dono do Excel Econômico, estão brigando na Suprema Corte de Nova York. Cinco fundos de investimentos de Nasser, de seu filho Raymond e de seu tio, Albert, cobram US$ 612 milhões da instituição. Numa ação contra a Merrill, eles alegam que foram enganados, induzidos a fazer maus negócios e que perderam dinheiro porque o banco liquidou operações com derivativos sem seu consentimento. A Merrill Lynch diz o contrário. Afirma ter levado um calote dos Nasser e desde abril cobra na Justiça US$ 78 milhões por perdas com operações de alto risco realizadas por eles.
"Eles (Merrill Lynch) liquidaram as aplicações, se apoderaram de todas as garantias sem avisar e pegaram as contas para a carteira deles", disse ao Estado Raymond Nasser, diretor dos fundos que tinham conta na Merrill. Para chegar aos US$ 612 milhões, os fundos pedem US$ 112 milhões por perdas com corretagem, US$ 200 milhões com a liquidação de swaps, além de US$ 300 milhões em indenizações.
"(Os Nasser) não querem pagar a dívida e têm feito os maiores esforços para fugir de suas obrigações", afirmou, em e-mail enviado ao Estado, Mark Herr, vice-presidente de comunicação corporativa da Merrill Lynch, que foi vendida no fim do ano passado para o Bank of America . "Eles se apresentavam como investidores extremamente sofisticados e movimentaram mais de US$ 1 bilhão nos três anos em que foram nossos clientes."
No centro da disputa aparece o Bear Sterns, primeiro grande banco de investimento americano a quebrar com a crise financeira global. Os fundos que os Nasser tinham na Merril Lynch investiam em opções de compra de ações do Bearn Sterns desde meados de 2007. Quando a instituição foi à lona, em março do ano passado, a cotação dos papéis despencou de US$ 60 para US$ 2 em apenas uma semana, gerando um prejuízo que nenhum dos envolvidos diz exatamente quanto foi.
Para cobrir parte das perdas, a Merrill Lynch afirma em seu processo que, após tentativas - sem sucesso - de cobrar o pagamento, foi buscar o dinheiro em outras aplicações dos Nasser no banco. A decisão foi liquidar investimentos em swaps que os fundos da família mantinham na instituição. A medida não teria sido suficiente para bancar o prejuízo. Portanto, em abril, a Merrill Lynch foi à Justiça para cobrar US$ 78 milhões dos Nasser. No processo, afirma que os Nasser "negaram e negligenciaram suas dívidas com a Merrill Lynch apesar dos pedidos feitos". Mais: "com a intenção de esconder, atrasar e enganar a Merrill Lynch, fizeram uma série de transferências de suas aplicações para contas em outros bancos."
Os Nasser também fazem acusações pesadas contra a Merrill Lynch. Primeiro, culpam os profissionais da instituição por negligência.Dizem que investiram nos papéis do Bear Sterns influenciados por avaliações enviesadas feitas pelos analistas da Merrill, que "omitiram informações e fraudaram números". Dizem ainda que a Merrill vendeu os papéis no pior momento, quando o Bear Sterns faliu. "Eles resolveram liquidar as opções quando os papéis estavam a US$ 2. Por que esperaram tanto tempo se poderiam ter liquidado quando as ações estavam cotadas a US$ 60?", afirmou Ezequiel Nasser ao Estado. "
Os fundos dos Nasser também acusam a Merrill Lynch de tê-los prejudicado quando liquidou as operações de swap para cobrir os prejuízos com papéis do Bear Sterns. "Eram as operações mais lucrativas. Rendiam US$ 25 milhões por ano aos fundos", diz Raymond. "Até hoje eles não apresentaram boleto, nenhuma contabilidade convincente para mostrar a contraparte, o valor, nada."
Na tentativa de mostrar à Justiça que a Merrill Lynch teria reconhecido internamente as falhas no caso deles, os Nasser citam a demissão de seis funcionários da Merrill Lynch, dos escritórios de São Paulo e de Nova York, responsáveis pelo monitoramento de suas contas dos fundos. A Merrill não quis se manifestar sobre esse ponto.
O processo dos Nasser cita ainda a demissão de Cláudia Srour, uma espécie de gerente das contas dos fundos dos Nasser na Merrill Lynch, como evidência da suposta má fé da instituição. No processo, dizem que ela foi demitida por ter se "recusado a assinar declarações falsas" para prejudicá-los.
Claudia, agora longe da Merrill, continua próxima aos Nasser. É consultora pessoal de Ezequiel e deve se tornar sócia Raymond num escritório de gestão de recursos, a Analytica, com sede em Nova York. No site do escritório, o nome de Claudia já aparece.
Ezequiel Nasser vive entre São Paulo e Nova York, onde afirma administrar dinheiro pessoal e o de clientes. Membro de uma família tradicional de banqueiros, os Safra, nos anos 70 e 80 Ezequiel Nasser trabalhou para os tios Edmond (já falecido), nos Estados Unidos, e Joseph, no Brasil. Em 1990 abriu seu próprio banco, o Excel, que durante anos esteve entre os três mais rentáveis do país. Mais tarde comprou, com ajuda do governo, os restos do banco Econômico, que estava falido.
Foi a fase em que Nasser, um homem discreto que vivia com medo de sequestro depois de passar mais de dois meses em cativeiro, mais apareceu. Foi brincar o Carnaval em Salvador, onde ficava a sede do Econômico, e passou a patrocinar clubes de futebol populares, como o Corinthians. Mas não conseguiu resgatar a imagem do banco que, mergulhado em dificuldades financeiras, acabou sendo vendido pelo valor simbólico de R$ 1 aos espanhóis do Bilbao Vizcaya,que já saíram do País.
Sumido desde o fim do Econômico, o ex-banqueiro Nasser reaparece agora na disputa com o banco norte-americano.
Ezequiel Nasser e Merrill Lynch duelam na Justiça de Nova York
Fundos de ex-banqueiro cobram do banco US$ 612 milhões; instituição diz que levou calote de US$ 78 milhões dos Nasser
David Friedlander e Patrícia CançadoTamanho do texto? A A A A
Dois dos personagens mais agressivos do mundo das finanças, o banco americano Merrill Lynch e o ex-banqueiro Ezequiel Nasser, que foi dono do Excel Econômico, estão brigando na Suprema Corte de Nova York. Cinco fundos de investimentos de Nasser, de seu filho Raymond e de seu tio, Albert, cobram US$ 612 milhões da instituição. Numa ação contra a Merrill, eles alegam que foram enganados, induzidos a fazer maus negócios e que perderam dinheiro porque o banco liquidou operações com derivativos sem seu consentimento. A Merrill Lynch diz o contrário. Afirma ter levado um calote dos Nasser e desde abril cobra na Justiça US$ 78 milhões por perdas com operações de alto risco realizadas por eles.
"Eles (Merrill Lynch) liquidaram as aplicações, se apoderaram de todas as garantias sem avisar e pegaram as contas para a carteira deles", disse ao Estado Raymond Nasser, diretor dos fundos que tinham conta na Merrill. Para chegar aos US$ 612 milhões, os fundos pedem US$ 112 milhões por perdas com corretagem, US$ 200 milhões com a liquidação de swaps, além de US$ 300 milhões em indenizações.
"(Os Nasser) não querem pagar a dívida e têm feito os maiores esforços para fugir de suas obrigações", afirmou, em e-mail enviado ao Estado, Mark Herr, vice-presidente de comunicação corporativa da Merrill Lynch, que foi vendida no fim do ano passado para o Bank of America . "Eles se apresentavam como investidores extremamente sofisticados e movimentaram mais de US$ 1 bilhão nos três anos em que foram nossos clientes."
No centro da disputa aparece o Bear Sterns, primeiro grande banco de investimento americano a quebrar com a crise financeira global. Os fundos que os Nasser tinham na Merril Lynch investiam em opções de compra de ações do Bearn Sterns desde meados de 2007. Quando a instituição foi à lona, em março do ano passado, a cotação dos papéis despencou de US$ 60 para US$ 2 em apenas uma semana, gerando um prejuízo que nenhum dos envolvidos diz exatamente quanto foi.
Para cobrir parte das perdas, a Merrill Lynch afirma em seu processo que, após tentativas - sem sucesso - de cobrar o pagamento, foi buscar o dinheiro em outras aplicações dos Nasser no banco. A decisão foi liquidar investimentos em swaps que os fundos da família mantinham na instituição. A medida não teria sido suficiente para bancar o prejuízo. Portanto, em abril, a Merrill Lynch foi à Justiça para cobrar US$ 78 milhões dos Nasser. No processo, afirma que os Nasser "negaram e negligenciaram suas dívidas com a Merrill Lynch apesar dos pedidos feitos". Mais: "com a intenção de esconder, atrasar e enganar a Merrill Lynch, fizeram uma série de transferências de suas aplicações para contas em outros bancos."
Os Nasser também fazem acusações pesadas contra a Merrill Lynch. Primeiro, culpam os profissionais da instituição por negligência.Dizem que investiram nos papéis do Bear Sterns influenciados por avaliações enviesadas feitas pelos analistas da Merrill, que "omitiram informações e fraudaram números". Dizem ainda que a Merrill vendeu os papéis no pior momento, quando o Bear Sterns faliu. "Eles resolveram liquidar as opções quando os papéis estavam a US$ 2. Por que esperaram tanto tempo se poderiam ter liquidado quando as ações estavam cotadas a US$ 60?", afirmou Ezequiel Nasser ao Estado. "
Os fundos dos Nasser também acusam a Merrill Lynch de tê-los prejudicado quando liquidou as operações de swap para cobrir os prejuízos com papéis do Bear Sterns. "Eram as operações mais lucrativas. Rendiam US$ 25 milhões por ano aos fundos", diz Raymond. "Até hoje eles não apresentaram boleto, nenhuma contabilidade convincente para mostrar a contraparte, o valor, nada."
Na tentativa de mostrar à Justiça que a Merrill Lynch teria reconhecido internamente as falhas no caso deles, os Nasser citam a demissão de seis funcionários da Merrill Lynch, dos escritórios de São Paulo e de Nova York, responsáveis pelo monitoramento de suas contas dos fundos. A Merrill não quis se manifestar sobre esse ponto.
O processo dos Nasser cita ainda a demissão de Cláudia Srour, uma espécie de gerente das contas dos fundos dos Nasser na Merrill Lynch, como evidência da suposta má fé da instituição. No processo, dizem que ela foi demitida por ter se "recusado a assinar declarações falsas" para prejudicá-los.
Claudia, agora longe da Merrill, continua próxima aos Nasser. É consultora pessoal de Ezequiel e deve se tornar sócia Raymond num escritório de gestão de recursos, a Analytica, com sede em Nova York. No site do escritório, o nome de Claudia já aparece.
Ezequiel Nasser vive entre São Paulo e Nova York, onde afirma administrar dinheiro pessoal e o de clientes. Membro de uma família tradicional de banqueiros, os Safra, nos anos 70 e 80 Ezequiel Nasser trabalhou para os tios Edmond (já falecido), nos Estados Unidos, e Joseph, no Brasil. Em 1990 abriu seu próprio banco, o Excel, que durante anos esteve entre os três mais rentáveis do país. Mais tarde comprou, com ajuda do governo, os restos do banco Econômico, que estava falido.
Foi a fase em que Nasser, um homem discreto que vivia com medo de sequestro depois de passar mais de dois meses em cativeiro, mais apareceu. Foi brincar o Carnaval em Salvador, onde ficava a sede do Econômico, e passou a patrocinar clubes de futebol populares, como o Corinthians. Mas não conseguiu resgatar a imagem do banco que, mergulhado em dificuldades financeiras, acabou sendo vendido pelo valor simbólico de R$ 1 aos espanhóis do Bilbao Vizcaya,que já saíram do País.
Sumido desde o fim do Econômico, o ex-banqueiro Nasser reaparece agora na disputa com o banco norte-americano.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
22/01/2009 - 11h33
Governo consegue bloquear mais de US$ 2 bi em contas no exterior relacionadas à Satiagraha
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da Folha Online
O Ministério da Justiça conseguiu o bloqueio de mais de US$ 2 bilhões, ou seja, R$ 4,5 bilhões, em contas bancárias mantidas no exterior e relacionadas à Operação Satiagraha, da Polícia Federal.
A Operação Satiagraha ocorreu no dia 8 de julho do ano passado, contra suspeitos de corrupção e de promover lavagem de dinheiro. Entre os presos estavam o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, o investidor Naji Nahas e o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity.
Folha Imagem
Naji Nahas, Celso Pitta e Daniel Dantas foram presos durante a Operação Satiagraha, da PF
Segundo o ministério, desse montante, cerca de US$ 500 milhões resultam de cooperação do governo americano, e trata-se do maior bloqueio de recursos suspeitos de ilícitos da história do Brasil.
A pasta afirmou que o local do bloqueio e os nomes dos titulares não serão divulgados, em consequência do compromisso assumido com os países cooperantes e para não atrapalhar as investigações.
O bloqueio foi determinado por ordem judicial expedida em cooperação Jurídica Internacional. A ação foi coordenada pela Secretaria Nacional de Justiça, com a participação do DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional), da Justiça Federal e da Polícia Federal.
No ano passado, a Secretaria Nacional de Justiça havia conseguido bloquear US$ 46 milhões dos investigados na Operação Satiagraha. O dinheiro estava no Reino Unido. De acordo com o blog do Josias, o dinheiro seria de Dantas.
A reportagem está tentando contato com o advogado do banqueiro, Nélio Machado, para comentar o novo bloqueio.
Investigações
Segundo a PF, as investigações começaram há cerca de quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados com o caso mensalão. A partir de documentos enviados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo, foi aberto um processo na 6ª Vara Criminal Federal.
Na apuração foram identificadas pessoas e empresas supostamente beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, supostamente comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.
Para a prática dos delitos, o grupo teria possuído empresas de fachada. As investigações ainda descobriram que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas.
Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização teria atuado no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios inclusive do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).
Governo consegue bloquear mais de US$ 2 bi em contas no exterior relacionadas à Satiagraha
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da Folha Online
O Ministério da Justiça conseguiu o bloqueio de mais de US$ 2 bilhões, ou seja, R$ 4,5 bilhões, em contas bancárias mantidas no exterior e relacionadas à Operação Satiagraha, da Polícia Federal.
A Operação Satiagraha ocorreu no dia 8 de julho do ano passado, contra suspeitos de corrupção e de promover lavagem de dinheiro. Entre os presos estavam o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, o investidor Naji Nahas e o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity.
Folha Imagem
Naji Nahas, Celso Pitta e Daniel Dantas foram presos durante a Operação Satiagraha, da PF
Segundo o ministério, desse montante, cerca de US$ 500 milhões resultam de cooperação do governo americano, e trata-se do maior bloqueio de recursos suspeitos de ilícitos da história do Brasil.
A pasta afirmou que o local do bloqueio e os nomes dos titulares não serão divulgados, em consequência do compromisso assumido com os países cooperantes e para não atrapalhar as investigações.
O bloqueio foi determinado por ordem judicial expedida em cooperação Jurídica Internacional. A ação foi coordenada pela Secretaria Nacional de Justiça, com a participação do DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional), da Justiça Federal e da Polícia Federal.
No ano passado, a Secretaria Nacional de Justiça havia conseguido bloquear US$ 46 milhões dos investigados na Operação Satiagraha. O dinheiro estava no Reino Unido. De acordo com o blog do Josias, o dinheiro seria de Dantas.
A reportagem está tentando contato com o advogado do banqueiro, Nélio Machado, para comentar o novo bloqueio.
Investigações
Segundo a PF, as investigações começaram há cerca de quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados com o caso mensalão. A partir de documentos enviados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo, foi aberto um processo na 6ª Vara Criminal Federal.
Na apuração foram identificadas pessoas e empresas supostamente beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, supostamente comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.
Para a prática dos delitos, o grupo teria possuído empresas de fachada. As investigações ainda descobriram que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas.
Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização teria atuado no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios inclusive do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Entenda o esquema de pirâmide financeira realizado por Madoff
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008, 15:03 | Online
De: O Estadão
SÃO PAULO - Bernard Madoff, operador renomado de Wall Street e fundador da Bernard L. Madoff Investment Securities LLC, foi preso no dia 11 de dezembro acusado de estar por trás de um esquema multibilionário e fraudulento de pirâmide financeira conhecido como Ponzi.
A fraude era feita da seguinte forma: a empresa de Madoff atraía os investidores oferecendo níveis de rentabilidade que chegavam a 1% ao mês, ou seja, mais de 10% de retorno no investimento por ano. Ele, então, utilizava o dinheiro desses novos investidores para pagar clientes antigos, que queriam resgatar os recursos aplicados.
O esquema funcionava porque os rendimentos não eram pagos aos investidores todo mês, apenas acompanhado por eles. Esse dinheiro só seria devolvido ao cliente quando este resgatasse seu investimento. O problema é que, diante de grande demanda por resgates em decorrência da crise financeira, o fundo de Madoff ficou sem dinheiro para pagar os investidores e a fraude veio à tona.
Agora que suas supostas vítimas questionam por que as autoridades americanas não checaram antes o que estava acontecendo, parece que a forma como Madoff operava foi decisiva para o seu sucesso. Descrito como "afável" e "de alto nível, mas de uma forma discreta", o banqueiro se esforçou para manter sua aura de exclusividade.
Muitos de seus clientes mais ricos foram conquistados em conversas em clubes para abastados em Nova York ou na Flórida, e Madoff dava a eles uma sensação de pertencerem a um círculo privilegiado. Ele usou esses grandes nomes para atrair outros investidores, até que sua influência passou a se estender a grandes bancos, fundos hedge e até mesmo organizações beneficentes.
As operações de Madoff, de fato, eram bem obscuras. Além de sua empresa original, a Bernard L. Madoff Investment Securities, ele dirigia uma empresa de assessoria financeira totalmente separada - e é essa empresa que está envolvida na suposta fraude.
Ele nunca revelou seus métodos de operação no mercado ou como ele gerava os lucros substanciais para os investidores que representava. "É uma estratégia do meu negócio. Não posso dar muitos detalhes", disse ele certa vez.
A Comissão de Valores Mobiliários (SEC) dos Estados Unidos tinha autoridade para investigar os negócios de Madoff. Analistas financeiros levantaram dúvidas sobre as práticas de Madoff repetidamente ao longo da última década, incluindo uma carta de 1999 para a SEC que acusava Madoff de estar realizando o esquema Ponzi. Mas a agência não conduziu nem mesmo uma análise de rotina no fundo de investimentos até a semana passada.
Mas como essa situação não levantou antes a suspeita dos órgãos reguladores?
A resposta envolve provavelmente uma combinação do prestígio pessoal de Madoff com sua exploração cuidadosa de certas brechas no sistema. Como ex-presidente da Nasdaq, com uma coleção de outras diretorias no currículo, e generoso doador em causas beneficentes, Madoff era um homem que inspirava confiança.
Quanto aos reguladores, a SEC regularmente fiscalizava a Bernard L. Madoff Investment Securities, mas não sua empresa separada de assessoria financeira. Essa empresa gerenciava um fundo hedge que não estava registrado na SEC até setembro de 2006 - e, de acordo com relatos, nunca foi sujeito a inspeção depois disso.
Detalhes de investigações mais antigas da SEC sobre os negócios de Madoff estão agora sendo divulgados. Na semana passada, a SEC disse que as operações de Madoff com títulos foram investigadas em 2005 e na época concluiu-se que ele havia violado a regra que determina que os corretores obtenham a melhor cotação possível.
Cofre familiar
As investigações estão apenas começando. Os investigadores ainda não disseram quando acreditam que Madoff tenha começado a prática fraudulenta de usar investimentos novos para pagar os investidores já existentes. Não está claro quanto dinheiro foi perdido ou quantas pessoas estavam envolvidas.
Ainda não veio a público se ele gastou tudo, se guardou em algum lugar ou simplesmente perdeu o dinheiro. Foi revelado pelo jornal Evening Standard que Madoff mantém no centro de Londres um pequeno escritório onde guardava milhões em dinheiro.
Comparado com o edifício Lipstick, de Manhattan, em Nova York, onde fica a sede central de seu banco de investimentos, o escritório londrino, no número 12 de Berkeley Street, no bairro de Mayfair, é bem mais discreto.
Uma fonte disse ao jornal que a sede anônima era como um "cofre familiar" do banqueiro, no qual guardava o equivalente a 88 milhões em dinheiro para determinadas operações familiares. Nesse escritório trabalham 28 pessoas, incluindo analistas e especialistas em investimentos, e à frente dessa sede está Stephen Raven, de 70 anos, um dos nomes mais respeitados na City de Londres.
Raven ocupou um cargo durante 16 anos no Conselho da Bolsa de Londres e também foi membro do Conselho de Administração do banco Warburg's, além de ser diretor-fundador da Liffe. Logo após saber da monumental fraude cometida por seu chefe, Raven publicou uma declaração à imprensa na qual afirmava que as atividades desenvolvidas nesse escritório nada tinham a ver com a companhia americana de gestão de ativos.
De: O Estadão
SÃO PAULO - Bernard Madoff, operador renomado de Wall Street e fundador da Bernard L. Madoff Investment Securities LLC, foi preso no dia 11 de dezembro acusado de estar por trás de um esquema multibilionário e fraudulento de pirâmide financeira conhecido como Ponzi.
A fraude era feita da seguinte forma: a empresa de Madoff atraía os investidores oferecendo níveis de rentabilidade que chegavam a 1% ao mês, ou seja, mais de 10% de retorno no investimento por ano. Ele, então, utilizava o dinheiro desses novos investidores para pagar clientes antigos, que queriam resgatar os recursos aplicados.
O esquema funcionava porque os rendimentos não eram pagos aos investidores todo mês, apenas acompanhado por eles. Esse dinheiro só seria devolvido ao cliente quando este resgatasse seu investimento. O problema é que, diante de grande demanda por resgates em decorrência da crise financeira, o fundo de Madoff ficou sem dinheiro para pagar os investidores e a fraude veio à tona.
Agora que suas supostas vítimas questionam por que as autoridades americanas não checaram antes o que estava acontecendo, parece que a forma como Madoff operava foi decisiva para o seu sucesso. Descrito como "afável" e "de alto nível, mas de uma forma discreta", o banqueiro se esforçou para manter sua aura de exclusividade.
Muitos de seus clientes mais ricos foram conquistados em conversas em clubes para abastados em Nova York ou na Flórida, e Madoff dava a eles uma sensação de pertencerem a um círculo privilegiado. Ele usou esses grandes nomes para atrair outros investidores, até que sua influência passou a se estender a grandes bancos, fundos hedge e até mesmo organizações beneficentes.
As operações de Madoff, de fato, eram bem obscuras. Além de sua empresa original, a Bernard L. Madoff Investment Securities, ele dirigia uma empresa de assessoria financeira totalmente separada - e é essa empresa que está envolvida na suposta fraude.
Ele nunca revelou seus métodos de operação no mercado ou como ele gerava os lucros substanciais para os investidores que representava. "É uma estratégia do meu negócio. Não posso dar muitos detalhes", disse ele certa vez.
A Comissão de Valores Mobiliários (SEC) dos Estados Unidos tinha autoridade para investigar os negócios de Madoff. Analistas financeiros levantaram dúvidas sobre as práticas de Madoff repetidamente ao longo da última década, incluindo uma carta de 1999 para a SEC que acusava Madoff de estar realizando o esquema Ponzi. Mas a agência não conduziu nem mesmo uma análise de rotina no fundo de investimentos até a semana passada.
Mas como essa situação não levantou antes a suspeita dos órgãos reguladores?
A resposta envolve provavelmente uma combinação do prestígio pessoal de Madoff com sua exploração cuidadosa de certas brechas no sistema. Como ex-presidente da Nasdaq, com uma coleção de outras diretorias no currículo, e generoso doador em causas beneficentes, Madoff era um homem que inspirava confiança.
Quanto aos reguladores, a SEC regularmente fiscalizava a Bernard L. Madoff Investment Securities, mas não sua empresa separada de assessoria financeira. Essa empresa gerenciava um fundo hedge que não estava registrado na SEC até setembro de 2006 - e, de acordo com relatos, nunca foi sujeito a inspeção depois disso.
Detalhes de investigações mais antigas da SEC sobre os negócios de Madoff estão agora sendo divulgados. Na semana passada, a SEC disse que as operações de Madoff com títulos foram investigadas em 2005 e na época concluiu-se que ele havia violado a regra que determina que os corretores obtenham a melhor cotação possível.
Cofre familiar
As investigações estão apenas começando. Os investigadores ainda não disseram quando acreditam que Madoff tenha começado a prática fraudulenta de usar investimentos novos para pagar os investidores já existentes. Não está claro quanto dinheiro foi perdido ou quantas pessoas estavam envolvidas.
Ainda não veio a público se ele gastou tudo, se guardou em algum lugar ou simplesmente perdeu o dinheiro. Foi revelado pelo jornal Evening Standard que Madoff mantém no centro de Londres um pequeno escritório onde guardava milhões em dinheiro.
Comparado com o edifício Lipstick, de Manhattan, em Nova York, onde fica a sede central de seu banco de investimentos, o escritório londrino, no número 12 de Berkeley Street, no bairro de Mayfair, é bem mais discreto.
Uma fonte disse ao jornal que a sede anônima era como um "cofre familiar" do banqueiro, no qual guardava o equivalente a 88 milhões em dinheiro para determinadas operações familiares. Nesse escritório trabalham 28 pessoas, incluindo analistas e especialistas em investimentos, e à frente dessa sede está Stephen Raven, de 70 anos, um dos nomes mais respeitados na City de Londres.
Raven ocupou um cargo durante 16 anos no Conselho da Bolsa de Londres e também foi membro do Conselho de Administração do banco Warburg's, além de ser diretor-fundador da Liffe. Logo após saber da monumental fraude cometida por seu chefe, Raven publicou uma declaração à imprensa na qual afirmava que as atividades desenvolvidas nesse escritório nada tinham a ver com a companhia americana de gestão de ativos.
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